a luta continua! a luta continua! a luta continua! a luta continua! a luta continua! /§(o_o)§\

sábado, 29 de março de 2008

VOZES de ABRIL
25 de Abril - SEMPRE!!!

VOZES05
uma por dia :)
e... hoje, quem canta??

"barca em chão de lama"

para ouvir, basta clicar na setinha...

da ilha p`ra que rumo
não há qualquer registo
mas diz que viver lá
é MUITO mais que isto!!...

VOZES de ABRIL
25 de Abril - SEMPRE!!!


uma por dia :)
e... hoje, quem canta??

Cantos d`OXALÁ: duas versões do mesmo tema

basta clicar na setinha

e vem o vento e dá
e vem a sorte e tira
são cantos d'OXALÁ

lutando com a mentira

sexta-feira, 28 de março de 2008

VOZES de ABRIL
25 de Abril - SEMPRE!!!

uma por dia :)
e... hoje, quem canta??



basta clicar na setinha...
CANTAREI

Vivi povo e multidão
sofri ventos sofri mares
passei sede e solidão
muitos lugares
sofri países sem jeito
p'r'ó meu jeito de cantar
mordi penas no meu peito
e ouvi braços a gritar

e depois vivi o tempo
em que o tempo não chegava
para se dizer o tanto
que há tanto tempo se calava

vivi explosões de alegria
fiz-me andarilho a cantar
cantei noite cantei dia
canções do meu inventar

cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Hoje resta-me este braço
de guitarra portuguesa
que nunca perde o seu espaço
e a sua beleza
hoje restam-me os abraços

nesta pátria viajada
dos que moram mesmo longe
a tantos dias de jornada

dos que fazem Portugal
no trabalho dia a dia
e me dão alma e razão
nesta porfia

por isso invento caminhos
mais cantigas viajantes
e sinto música nos dedos
com a mesma força de antes
cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

quinta-feira, 27 de março de 2008

# 128 - 25 de ABRIL
SEMPRE!!!!!!


A Associação 25 de Abril decidiu organizar um concerto de homenagem a várias vozes de Abril. É uma ideia bonita.

A RTP interessou-se pelo espectáculo e se tudo correr como previsto, vai passá-lo no Canal 1, em horário nobre, no dia 25 de Abril.

Aqui fica o programa com o "pequeno" elenco que parece já estar confirmado.

(Sei que haverá bilhetes à venda nos locais habituais, mas não sei pormenores)


Coliseu de Lisboa - 4 de Abril 2008 - 21:30H


INTÉRPRETES: Brigada Victor Jara, Carlos Alberto Moniz, Carlos Carranca, Carlos Mendes, Couple Coffee, Ermelinda Duarte, Erva de Cheiro, Estudantina de Lisboa, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, Haja Saúde, Helena Vieira e Coro Infanto-Juvenil, Jacinta, João Afonso, José Barata Moura, José Jorge Letria, José Mário Branco, Lua Extravagante (Vitorino, Janita Salomé, Carlos Salomé, Filipa Pais), Lúcia Moniz, Luís Goes, Luiza Basto e João Fernando, Manuel Freire, Maria do Amparo, Pedro Barroso, Raul Solnado, Samuel, Tino Flores, Waldemar Bastos.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: Patxi Andion.

POESIA: Joaquim Pessoa, José Fanha, Manuel Alegre, Maria Barroso.

CORPO DE BAILE: Coreografado por Marco de Camillis.

PARTICIPAÇÃO TEATRAL: A Barraca ( Autor e Encenador Hélder Costa).

CORAL ALENTEJANO: "Os Alentejanos" da Damaia e "Grupo da Liga de Amigos de S. Domingos" de Sacavém.

GUITARRRA E VIOLA: João Alvarez e Durval Moreirinhas.

BANDAS: Exército, Força Aérea, Marinha.

BANDA MUSICAL: Dirigida por Carlos Alberto Moniz.

APRESENTADORES: Júlio Isidro e Sílvia Alberto.


informação via [ o nosso querido cantigueiro :)] + [ aqui ] [ aqui ] [ aqui ] ...


sábado, 8 de março de 2008

# 126 - É hoje!!! também lá estarei!


Firmes na sua vontade
com coragem e determinação
muitas mulheres portuguesas
PROFESSORAS
marcarão presença
HOJE

na incomparável
MARCHA DA INDIGNAÇÃO

# 126 - * O DIA DA MULHER APENAS EXISTE
PARA QUE DEIXE DE SER PRECISO
EXISTIR O DIA DA MULHER

MULHER

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher

José Carlos Ary dos Santos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

# 125 - professorado de luto
EM LUTA!!!!

Do Marquês até ao Paço
seremos uma só voz.
Sonora onda, gigante o laço
feito com o corpo de TODOS nós

Vem daí no dia oito
quer sejas professor ou não.
Todos não seremos demais
na MARCHA da INDIGNAÇÃO!!


vem amigo
por essa estrada
AMIGO...VEEMMMM!!!!

marcha03


vem amigo
por essa estrada
amigo... VEEMM...
se alguém houver que não queira
trá-lo contigo, também...
vem amigo
amigo VEEEEMMMMM!!!!!!

sábado, 12 de janeiro de 2008

# 124 - "peixes" autistas... :(

pregar aos "peixes" ou... fritá-los às postinhas??!!!!


quando os "peixinhos" teimam em ser... "cegos" e "surdos"...
quando se deixam asfixiar por falta de água...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

# 122 - ASSINA e DIVULGA



Referendo02


Se este assunto te suscita dúvidas, mas, desejas esclarecê-las,
então, clica neste [link]

para assinares, clica sobre a seguinte imagem:

referendo votação

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

# 123- obrigada, SAMUEL, o nosso cantigueiro :)

Visitando o Samuel, e o seu cantigueiro
Outra voz de Abril que a comunicação social silenciou...

domingo, 23 de dezembro de 2007

# 121- natal dos simples

***************
Em 29 de Janeiro de 1983 realizou-se o espectáculo no Coliseu, encontrando-se
José Afonso já em dificuldades, devido ao seu estado de saúde....

recordando o "Natal dos simples":


José Afonso - Ao Vivo no Coliseu (parte 4/12)
Natal dos Simples

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

José (Zeca) Afonso

Como refrão, geralmente é cantado um descontraído:

panparara piri
panparara piri
panpanpanpan...

que traduzindo era igual a:

vão parar à pide
vão parar à pide
vão, vão, vão, vão....

sábado, 22 de dezembro de 2007

# 120 - vela de natal... adoptei-a, faz algum tempo...
a minha vénia ao seu autor...

sem azevinho nem bolinhas brilhantes...
há muito que não encontrava uma imagem
tão repleta de significado.

trabalho premiado - Myung-Lae Nan - Coreia do Sul

# 119 - NATAL??!!!!
mas... QUAL NATAL???!!!

Porque subscrevo na totalidade,
faço ECO de quem assim escreveu...
recusando-me a pactuar
com a... hipocrisia natalícia!


Crónica de um Natal impossível
Por Pedro Barroso

HOJE NÃO ME APETECE Natal.
Não acredito na bondade por decreto.
Não me deslumbro com as luzes e os sinos tocando aleluias de alegria.
Acho tudo isso uma treta de consumo. E, num país sem dinheiro, nem o consumo pode circular no excesso destemperado da saison.
Porque não havendo um, não pode existir o outro. E o povo, sem poder de compra, assiste ao sonho compensatório e impraticável de quebrar fronteiras em Schengens distantes.
E compra castanhas assadas em discutido embrulhamento, nas tais controversas folhas da lista amarela, como tradição.
É pouca e controlada felicidade. Farinhenta vida, a do adorador de sonhos.
Fraca alegria para a capital da Europa, ao que parece, supostamente passando por aqui. Tratados de Lisboa. Êxitos imensos. Glória in excelsis.
Pois. É pena. Porque só não temos é dinheiro para cantar.
Este é, seguramente, dos Natais mais pobres de sempre dos últimos anos para o Povo português. Com salários a diminuírem, pensões insignificantes, ajuda nos medicamentos a baixar, prestações das casas a subir desenfreadamente todos os meses, desemprego alarmante.
E contudo estamos de parabéns. Brilhantes acordos Europeus. Bravo.
Podemos circular de Tallin a Lisboa, sem parar em nenhuma fronteira. Schengen alargou. Quase deixou de ser necessário o velho passaporte. Meu querido companheiro de viagem, meu cúmplice de fugas e secretos desvios de percurso, meu medidor de mim, numa juventude que foi – a medo, mas foi – viajante e transgressiva.
Hoje podemos celebrar Natais – para quem neles acredite – com Pais do dito cujo vindos directamente da Noruega sem passaporte. Renas incluídas, se estiverem vacinadas, supõe-se. ASAE oblige. Um escândalo.

Não me vejo aqui. Amigos, acreditem: - não sei onde pertenço.
O facto é que, contudo, também não me vejo em mais parte alguma. Com efeito, a praia tropical, sinceramente - que alguns amigos praticam como fuga compulsiva a uma época de convívio familiar por obrigação - também não me seduz por aí além.
Dezembro é bonito com neve e frio. Com lareira e aconchego. Sou europeu daqui, deste lado do tempo e do mar. Desta gente marinheira e montanheira. Deste cheiro a sardinha assada no Verão. Dos cavalos lusitanos. Do bacalhau com grão. Da paixão de Florbela e da angústia existencial de Vergilio. O Ferreira, claro, meu querido professor.
Queime-se, pois, a cavaca e o chambaril. Demos as mãos na noite de angústia e saboreemos a nossa pequenez contente. Misturemos leite e farinha e façamos os coscorões da ilusão. Cortemos no açúcar, que está caro. E troquemos de pequenas prendas com um sorriso quase conformado.
E disfarcemos a tristeza.
Eu não devia escrever isto. Porque é suposto estar alegre.
Mas andam-me a roubar, aos poucos, um outro País maior. Onde foi palavra, e gesto, e esperança e teve significado o verbo acreditar.
Como sobreviver, pois, ao Natal de Sócrates, após estes anos de deslize em perda do poder de compra, sob o mais hipócrita sorriso de alegrias marginais de foro europeu, que nos aportam nada?
Que me interessa que me ofereçam viagem sem fronteiras até à Estónia, se o povo tem de contar os tostões para ir visitar a velhota que está lá, no frio, afinal aqui tão perto? Numa lareira acesa, sozinha, algures, numa qualquer casa perdida, lá para a Guarda, Arganil, Bragança, Mértola, Mação, Melgaço?
E quantas vezes é um telefonema meigamente mentiroso que vai ter de disfarçar a mágoa secreta da impotência?
Ah! Meu velho passaporte de partir!... Vou passar a consoada dos outros, ricos e pobres, contigo no meu peito.
Leva-me longe daqui e que eu não volte.
Ou volte sempre, que o meu viajar é eterno em tuas mãos. E eu amo-te tanto como a vida que não tenho, o sonho inacabado do Império adiado e adormecido de coisas superiores que habita em mim.
E dá-me os longes todos que encontrares, que eu vou gostar.
E não preciso de aviões, nem renas, nem Schengens abertos para circular no sonho. Nem no Mundo.
Mas noutro. Feito de homens melhores, e duma total e absoluta felicidade.
Que este fede. E assim não há poema.
Quanto mais Natal.

Este texto foi roubado no SORUMBÁTICO

domingo, 9 de dezembro de 2007

# 118 - violência nas escolas...

Este texto foi roubado [aqui], porque...
é preciso fazer eco

das palavras
corajosas
e sabedoras!!!!


Violência nas escolas
Por Alice Vieira

LI NUM JORNAL que a senhora Ministra da Educação está contente. E, quando os nossos governantes estão contentes, é como se um sol raiasse nas nossas vidas.
E está contente porque, segundo afirmou, a violência nas escolas portuguesas afinal não existe.
Ao que parece andamos todos numa de paz e amor, lá fora é que as coisas tomam proporções assustadoras, os nossos brandos costumes continuam a vingar nos corredores de todas as E B, 2/3, ou como é que as escolas se chamam agora.
Tenho muita pena que os nossos governantes só entrem nas escolas quando previamente se fazem anunciar, com todas as televisões atrás, para que o momento fique na História. É claro que assim, obrigada, também eu, anda ali tudo alinhado que dá gosto ver, porque o respeitinho pelo Poder é coisa que cai sempre bem no coração de quem nos governa, e que as pessoas gostam de ver em qualquer telejornal.
Mas bastaria a senhora Ministra entrar incógnita em qualquer escola deste país para ver como a realidade é bem diferente daquela que lhe pintaram ou que os estudos (adorava saber como se fazem alguns dos estudos com que diariamente se enchem as páginas dos jornais) proclamam.
É claro que não falo daquela violência bruta e directa, estilo filme americano, com tiros, naifadas e o mais que houver.
Falo de uma violência muito mais perigosa porque mais subtil, mais pela calada, mais insidiosa.
Uma violência mais ”normal”.
E não há nada pior do que a normalização, do que a banalização da violência.
Violência é não saberem viver em comunidade, é o safanão, o pontapé e a bofetada como resposta habitual, o palavrão (dos pesados…) como linguagem única, a ameaça constante, o nenhum interesse pelo que se passa dentro da sala, a provocação gratuita (“bata-me, vá lá, não me diga que não é capaz de me bater? Ai que medinho que eu tenho de si…”, isto ouvi eu de um aluno quando a pobre da professora apenas lhe perguntou por que tinha chegado tarde…).
Violência é a demissão dos pais do seu papel de educadores - e depois queixam-se nas reuniões de que “os professores não ensinam nada”.
Porque, evidentemente, a culpa de tudo é sempre dos professores - que não ensinam, que não trabalham, que não sabem nada, que fazem greves, qualquer dia - querem lá ver? - até fumam…
Os seus filhos são todos uns anjos de asas brancas e uns génios incompreendidos.
Cada vez os pais têm menos tempo para os filhos e, por isso, cada vez mais os filhos são educados pelos colegas e pela televisão (pelos jogos, pelos filmes, etc. ). Não têm regras, não conhecem limites, simples palavras como “obrigada”, “desculpe”, “se faz favor” são-lhes mais estranhas que um discurso em chinês - e há quem chame a isto liberdade.
Mas a isto chama-se violência. Aquela que não conta para os estudos “científicos”, mas aquela de que um dia, de repente, rompe a violência a sério.
E então em estilo filme americano.
Com tiros, naifadas e o mais que houver.
«JN» de 9 de Dezembro de 2007

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

# 117- mais uma delícia que eu não conhecia....

roubei, e..... NÃO ME ARREPENDO...




[MENINOS], vá lá...
NÃO ME PUXEM O TAPETE, POR FAVOR... :)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

# 116 - GREVE

greve30novqr9

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

# 115 - :) porque hoje... é dia de aniversário...

PARABÉNS, PEDRO BARRÔSO!!!



domingo, 25 de novembro de 2007

# 114 - o país dos... Almerindos...

Sempre com visão clara e linguinha afiada:

O país dos Almerindos

Por Pedro Barroso

NÃO SE LHE CONHECIA OBRA DE CULTURA, drama ou romance. Não se lhe conhecia curriculum nem de cineasta, nem de vídeo amador. Não se lhe conhecia nenhuma especial sapiência em coisas de Rádio ou Televisão. E contudo.
Fundador do Partido Socialista, já foi também Presidente dos Conselhos de Administração da Agência Lusa e da Portugal Global; já foi também administrador da Caixa Geral de Depósitos e do Banco Espírito Santo; já foi também Presidente do Banco Fonsecas & Burnay e da filial portuguesa do Barclays; já foi também deputado pelo Partido Socialista e até Secretário de Estado da Administração Escolar, num governo chefiado por Mário Soares (1976/78).
Veio pois, do Banco de toda a gente, quando este acaba, para a Caixa de toda a gente, quando esta expande. Talvez como prémio.
Diz-se que, aí, houve mau entendimento com o Administrador principal. Saiu da dita CGD e logo arranjou um empregozito modesto na gestão da RTP.
“Convite”, ao que parece, que é sempre como se contrata a este nível cá no burgo.
Uma surpresa para tantos homens de televisão elegíveis.
Como gestor implacável. Diz-se que é um homem
de miúdos. Passe a expressão, hoje em dia equívoca e maldosa... Falo de trocos, tostões, pataqueira, entenda-se. Diz-se dos garimpeiros do cêntimo. Verificadores de contas, nunca investidores, com ordens rigorosas para poupar. Coisa que, ao que parece, sabe fazer.
Advogava que nunca deve investir-se nem em programas musicais, nem culturais, pois
não dão audiências.
Foi-me dito na cara, em passados encontros, posso afirmá-lo, portanto.
Tem uma irritabilidade fácil e, contudo, tem sabido resistir a denúncias públicas das suas muitas benfeitorias, haveres, poderes, cargos e tachos. Em vão, jornais tentaram implicá-lo em tentaculares ligações. E denunciar-lhe os mil e um lugares, vencimentos e domínios. Imperturbável, o seu prestígio fica sempre incólume. De pedra e cal.
Tem defensores públicos que vêm à liça defendê-lo ao mínimo ataque.
Governar para o tostão tem sido o investimento de regime na cultura do povo. Se ele ficar progressivamente bimbo e recuado no gosto, não há problema. Imbecilize-se, mas haja pé-de-meia. O Estado assim entende a função da rádio e da televisão próprias.
E depois dá-se um fenómeno curioso – se não soubermos nem quisermos expandir o sentido crítico, a qualidade e a modernidade, o povo passa a consumir a mediocridade. E aí as audiências retornam. Bovinas mas retornam.
É o primeiro presidente da RTP a ser nomeado por um Governo e a ser reconduzido por outro Governo de outro partido. E continua dono do futuro, ao que parece.
Que ninguém o conteste. O empregado Rodrigues dos Santos que o testemunhe, pois escreve nas horas vagas e, para isso, parece que não anda a cumprir os horários. E dá com a língua nos dentes em assuntos que não deve. Está mal.
Ter tachos, afinal, é feio.
Agora, espantosamente, o homem sabe ainda mais comprovadamente de tudo. Acaba de ser nomeado presidente das Estradas de Portugal. Pimba!
Da Banca, à Televisão, às Estradas. Nem Nuno Rogeiro faria melhor.
Conclusão:
Eu quero mudar o meu nome.
Já deu entrada no cartório da minha terra que, em vez de António Pedro, quero passar a ser definitivamente, Almerindo. Apesar de um pouco teutónico, gosto muito.
Está decidido. Ponto. Não aceito menos.
É um nome muito bonito e paga demasiado bem, para lhe ficar indiferente.
Sou um óptimo gestor, o pessoal é que anda por aí distraído. Somítico, miudinho, minucioso, jacobino, avarento, agarrado, terrível. Serei tudo isso.
Tenho é andado adormecido entre o sonho e a viagem. Mas prometo reencaminhar-me de forma severa e exemplar. Aproveitem-me, por favor, desatentos indicadores e convidadores de cargos deste país. Serei excepcionalmente produtivo.
Cortiças, vinho do Porto, futebol, pescas, cereais, açúcares, azeites, banca, orquestras, televisão, ramas de petróleo, tangerinas, moda, helicópteros, qualquer coisa.
Prometo lucros. Resultados garantidos.
Como tal, mudo o nome e inscrevo-me em tudo o que for preciso.
Trigo limpo.
Ao vosso dispor. Atentamente,

Almerindo Barroso
(fica bonito, não fica?)

texto roubado [aqui]

# 113 - navegador do futuro...